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1979 o Brasil ainda respirava o poluído ar proporcionado
pelos "anos de chumbo",
com a ditadura militar imperando. Era "manda quem pode e
obedece quem tem juízo", funcionando como via de regra
entre todas as classes sociais. Ao mesmo tempo em que o país
fervilhava do ponto de vista político, com crescentes movimentos
em prol da efetiva instalação da democracia, no
extremo Leste da maior metrópole brasileira a impressão
que se tinha era que nada acontecia. As
engrenagens do desenvolvimento estavam enferrujadas e paradas.
Na
época, essa região era estritamente periférica,
com carências em todas as áreas e baixa qualidade
de vida dos moradores. Na realidade, a Zona Leste se resumia num
gigantesco dormitório e Itaquera já era um dos únicos
bairros com espaço para sediar novas empresas que absorvessem-ao-menos-parte
da mão-de-obra ociosa. Da mesma maneira que em todas as
cidades brasileiras, por aqui também a migração
era forte com organismos sociais caminhando na mesma direção:
a busca do progresso através de um intercâmbio de
idéias, o estabelecimento de políticas públicas
para a geração de empregos que acelerasse a economia
local e a promoção de serviços. Era preciso
união de propósitos. Em outubro de 1979, a greve
dos metalúrgicos estava no auge e como é normal
nestas ocasiões, o desencontro de informações
era bastante acentuado. O Brasil vivia sobre a sombra da censura,
com a imprensa vigiada e limitada a publicar apenas o que interessava
aos detentores do poder. E foi com o objetivo de discutir e ampliar
o universo de informações em torno daquela situação
que um grupo de oito empresários que atuavam no extremo
Leste decidiu reunir a classe para os mais diversos questionamentos.
O encontro aconteceu numa sala da Associação Cristã
de Moços ( ACM), no Jardim Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera.
Assim em 28 de novembro de 1979 nasceu a Associação
das Indústrias da Região de Itaquera(AIRI).
Os empresários
- maioria ligada ao ramo de metalurgia- voltaram a promover as
mesmas reuniões nas quais falavam sobre os problemas políticos,
administrativos, e financeiros do País, mas essencialmente
sobre meios para se promover o progresso industrial na então
carente e precária Zona Leste. As primeiras reuniões
da AIRI já demonstravam a importância que a entidade
teria num futuro próximo, contribuindo decisivamente para
o desenvolvimento da Zona Leste, hoje uma das áreas que
mais recebe investimento publícos e privados. Os componentes
da Associação, alguns dos quais desconhecidos entre
si, aproveitaram os encontros para fortalecer a amizade - num
clima de camaradagem - e trocar experiências, fato que serviu
como um sustentáculo aos ideais da AIRI.
Mas muito além das meras discussões,
a AIRI precisava de uma bandeira que simbolizasse seus objetivos
e mostrasse as razões pelas quais foi constituida. Evidentemente,
a implantação do Poló Industrial de Itaquera
passou a ser a tônica das atividades da AIRI. Os anos de
chumbo passaram deixando um saldo de preocupação,
de rendimentos artistícos e culturais para o País
e também de respeito à liberdade. Em 1985 o Brasil
viu nascer a tão sonhada democracia, com a promoção
de sua primeira eleição direta para a escolha do
presidente da República, após a decretação
do Golpe Militar, em 1964.
Grandes lideranças surgiram
naquela década, entre elas o ex-sindicalista e ex-metalúrgico
Luis Inácio Lula da Silva que, 20 anos depois, seria eleito
presidente da República do Brasil. Os anos 80 foram de
readequação política no País. São
Paulo, que sempre ocupou o ranking da principal e mais rica cidade
brasileira, conheceu a atuação de centenas de personalidades
que ocuparam o poder público para transformar o caos em
progresso. Diversas dessas pessoas tornaram-se autoridades públicas,
voltando os olhos para as deficiências e as necessidades
dos moradores e dos trabalhadores do extremo Leste.
Itaquera ganhou conjuntos habitacionais, tendo sua população
duplicada. Por meio da bandeira do Polo Industrial, a AIRI foi
ganhando cada vez mais notoriedade, transformando-se no principal
palco de discussões sobre o desenvolvimento da Zona Leste.
Apolitica, a AIRI sempre agiu com
transparência em suas iniciativas, e justamente por isso
deixou de ser uma entidade exclusiva para a representação
empresarial. As comunidades passaram a ter, nesta Associação,
um ponto de apoio em suas reivindicações. Assim,
lideranças de todos os setores (habitação,
segurança, assistência social, saúde, esportes,
lazer, educação, entre outros) tem espaço
nas reuniões e palestras da instituição.
O fortalecimento da AIRI veio naturalmente. Ao chamado "grupo
dos oito" juntaram-se outros 14 empresários e pessoas
interessadas no progresso da Zona Leste. Assim, a entidade foi
oficialmente fundada com a participação de 22 membros.
Era preciso fazer com que isso fosse foco dos interesses públicos,
que as autoridades vissem a região como potencial de consumo
e trabalho e que promovessem os investimentos necessários
para a viabilização do Pólo Industrial.
Em 1993 foi aprovada a lei Estadual
que criou o Pólo Industrial de Itaquera, O fato significou
a mais importante iniciativa da Associação das Indústrias
da região de Itaquera. Era um leque de possibilidades que
se abria em benefício da classe empresarial, da população
trabalhadora, da economia de mercado e também dos poderes
públicos através de arrecadação tributária.
Na época, as comunidades festejaram a lei como sendo algo
com poder de transformação social.
Também em meados dos anos
90, a Associação teve sua sede própria inaugurada,
na Rua João Soromenho,11 , Jardim Nossa Senhora
do Carmo, em Itaquera. Campeonatos esportivos, ações
comunitárias, palestras, balcões de atendimento,
enfim, a AIRI passou a ser um vetor do desenvolvimento local,
ampliando seu raio de atuação para todos os setores.
O novo milênio chegou, a Associação continua
trabalhando, se fortalecendo, cobrando serviço e exercendo
seu papel de liderança no contexto social e econômico
de Itaquera e região. No decorrer de sua jornada, a AIRI
obedece a filosofia de um trabalho planejado, buscando aprimorar
a prestação de serviços prestados à
região de Itaquera, mas especialmente à comunidade
produtiva e industrial, da qual é legitima representante.
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